Aqui estão os instrumentistas, compositores e intérpretes que participaram do projeto Samba de Botafogo em 2009.
Na nossa roda de samba mensal, estiveram Wálter Alfaiate, Niltinho Tristeza, Zorba Devagar, Mical, Anunciato, a família Duarte (Maurinho, Marquinhos, Eliane e Márcia - filhos do grande compositor de Botafogo, Mauro Duarte), Manoela Marinho, Tim da Viola, João Carlos "Grilo" e Helinho 107. O grupo "Tocando a Vida", nas mais variadas formações, os acompanhou. Também participaram Márcia Duarte e Helinho 107, mas não tenho registro fotográfico deles.
Posso dizer, com grande satisfação, que o samba de Botafogo continua vivo na voz e nos sambas desses artistas.
Agradeço ao jornalista e escritor Luiz Pimentel, ao cartunista Amorim, ao pesquisador Gerdal de Paula, ao Michel Misse e ao bloco Maracangalha, ao Ernani Marones e à amiga-pesquisadora Ivy Zelaya a colaboração com o blog. Agradeço, também, a todos que frequentaram a nossa roda de samba, contribuindo com sua alegria, seu amor ao bairro e a seus sambistas para o sucesso do projeto.
Ano que vem tem mais!
UM FELIZ 2010 PRA TODOS!
Paulinho.
"OLHA AÍ, TODA A MINHA GENTE REUNIDA..." (MICAL E MIÚDO)
Eliane Duarte, Dona Néia (sua mãe), Zorba, Serginho e Paulinho.
Zorba Devagar, Rodrigo, Flávio Feitosa, PC
Fernando, Zorba, Rodrigo, Flávio, PC
Eliane Duarte deu uma bela "canja", cantando sambas de seu pai, Mauro Duarte.
TEXTO
O amigo Luiz Pimentel, jornalista e escritor, manda outra colaboração: um belo texto sobre o Wálter Alfaiate.
WÁLTER ALFAIATE
FILHO DE BOTAFOGO, ILUSTRE BOTAFOGUENSE
Luís Pimentel
Diz um samba do Nei Lopes: “Mano Walter Alfaiate/Parceiro e amigo fraterno/Anote aí no seu caderno:/Eu quero fazer um terno/Caprichado no arremate/Com um corte bem moderno/Num pano verde-abacate”. A cara do Nei; a estampa do Walter.
Cantor e compositor, nascido e criado em botafogo, bairro pelo qual é apaixonado, Walter Alfaiate é uma das mais belas vozes da Música Popular Carioca (e brasileira, naturalmente). Do time e do gabarito de Ciro Monteiro e de Roberto Silva. Também umas das mais belas figuras que eu conheço. Tenho a honra de ser amigo do Walter, freqüentar o mesmo bar que ele, ser cliente de sua alfaiataria, puxar as palmas na primeira fila em seus shows e de já ter ouvido umas vinte vezes o CD Samba na medida. É o seu segundo disco e foi lançado em 2003, pela gravadora CPC-Umes.
O terceiro disco chama-se Tributo a Mauro Duarte – produzido pelo craque Ruy Quaresma, saiu também pelo selo CPC –, onde o incansável magnata supremo da elegância rende homenagem a um velho amigo de batalhas e de juventude, o saudoso Mauro Duarte, o mineiro mais carioca que Botafogo já hospedou (imperador da Bambina e de todas as quebradas da São Clemente). Nele, o melhor da obra de Mauro e seus grandes parceiros, Walter entre eles.
O CD primeirão, Olhaí, veio à luz há alguns anos, graças ao empenho pessoal dos compositores Marco Aurélio e Aldir Blanc, que criaram um selo para viabilizar a façanha. Aldir ainda fez, juntamente com Paulinho da Viola, o samba carro-chefe Botafogo chão de estrelas para o ferrenho botafoguense (do time) e botafoguista (do bairro)
Quem quiser cantar bonito tem que ouvi-lo. E quem quiser compor bonito tem que ouvir Mauro Duarte, Paulo César Pinheiro, Aldir, Paulinho e Nei Lopes – que estão todos nos discos do Walter.
E sacode aí, carolas, que isto é quase uma oração. E tenho dito.
VÍDEO
Zorba Devagar canta o samba A.M.O.R AMOR, de Mauro Duarte e Wálter Alfaiate.
O próximo Samba de Botafogo será no primeiro sábado de outubro, dia 03.
O amigo Michel Misse permitiu que eu colocasse, no blog, o texto e as imagens do cd do Cantinho da Fofoca. Agradeço ao Misse e ao pessoal do bloco Maracangalha a colaboração. Um excelente registro do primeiro reduto de sambistas de Botafogo.
Imagem 01: Seu Alcides, no balcão; Michel Misse, à esquerda; Carlinhos Madureira, ao fundo. Imagem 02: Miúdo (irmão do Mical), na tambora; Bigode, no violão; Venício, no cavaquinho. Imagem 03: Venício, no violão; Bigode, no cavaquinho; Jair Cubano, no acordeon.
Imagem 01: Wálter Alfaiate, sob a bandeira; Rubão e Miúdo. Imagem 02: Wálter Alfaiate; Rubão, à direita; Miúdo, de costas; Vavá, ao fundo.
Texto do cd:
Vídeo 01: Anunciato, sambista antigo de Botafogo, interpreta "Meu Botafogo Querido", de Altamiro Freitas, grande compositor do bairro. Quando está cantando o samba na roda, chega Marquinhos Duarte, filho do compositor Mauro Duarte, assumindo, a convite, o cavaquinho.
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Vídeo 02: O compositor Mical fala da criação de seu samba mais conhecido, "Olha aí" (parceria com seu irmão, Miúdo), e, depois, na roda de samba, Wálter Alfaiate o interpreta junto com o compositor. Momento de grande emoção no Samba de Botafogo.
"Olha aí" (Mical/Miúdo)
Olha aí, Toda a minha gente reunida Parece que está bem decidida e que atingiu o seu ideal
Olha aí, Veja a euforia, como é grande Note como o pessoal se expande, Num gesto tão humilde e leal Cante com vontade minha gente Porque hoje já é carnaval
Em cada bloco havia um estandarte Em cada estandarte um dizer Simbolizando que, nesses três dias, Ninguém se lembraria Como é o sofrer
Após a batucada pela rua, Quarta-feira a vida continua
Manuela, Mário, Jenner, Wálter, Paulinho. Na mesa, Nelsinho Rodrigues.
Neste último sábado, dia 06 de junho, o projeto "Samba de Botafogo" recebeu um dos mais ilustres sambistas do bairro: Wálter Alfaiate.
Wálter interpretou 14 sambas do seu repertório, alguns feitos em parceria com outro grande compositor de Botafogo: Mauro Duarte.
Também estiveram presentes e deram "canja": Mical, Anunciato, Eliane Duarte, Marquinhos Duarte e Manoela Marinho.
Uma apresentação que, certamente, vai ficar na história do samba do bairro.
FOLDER DA APRESENTAÇÃO DO WÁLTER:
O folder do projeto "Samba de Botafogo" é feito pelo Ronaldo Matos, filho do grande amigo Nélson Sargento. Ronaldo é integrante do "Tocando a Vida" e do "DNA do Samba".
TEXTO DO PESQUISADOR GERDAL DE PAULA NA INTERNET (06/06/2009)
Prezados amigos,
Autointitulado O Magnata Supremo da Elegância Moderna, recebendo a clientela em ateliê de Copacabana, o cantor e compositor Walter Alfaiate, grande figura das lides do samba e um dos muitos bambas a reluzir no chão de estrelas de Botafogo, é atração da simpática roda promovida, neste sábado, 6 de junho, no bar Belmiro, pelo amigo Paulo de Castro, professor do curso de Comunicação Social da Facha que, cátedra à parte, atende informalmente pelo epíteto artístico de Paulinho do Cavaco, também um bom compositor.
Quase octogenário, Walter Alfaiate, com o seu sorriso e sua simpatia, é uma presença constante nas boas e bem ritmadas aglomerações do samba, imunes à gripe suína. Após atuação em bares e boates da Princesinha do Mar, nos anos 60 e 70, em três conjuntos de samba (cantando e tocando reco-reco em Os Autênticos, Os Reais do Samba e Samba Fogo), chegou, finalmente, ao disco, com três CDs já gravados: "Olha Aí", de 1998, feito por iniciativa de um encantado Aldir Blanc e com faixa-título composta por outras duas estrelas do chão natal de Botafogo, os irmãos Miúdo e Mical; "Samba na Medida", de 2003, com homenagem de Nei Lopes na faixa-título; e "Tributo a Mauro Duarte", de 2005, em intenção do parceiro e amigo fraterno nascido na mineira Matias Barbosa, perto de Juiz de Fora, e outro bamba desse bairro carioca que Walter, alvinegro como ele, conheceu, curiosamente, em 1947, no campo do Fluminense. Jogavam o dono da casa e o Botafogo, e ambos saíram de lá amargando a cipoada de 4x1 dos tricolores. No trajeto a pé do estádio a Botafogo, onde moravam, comentando lances da contenda, iniciaram a conhecida e vitoriosa amizade na história da música popular brasileira.
Agradeço a gentil atenção de todos e lhes desejo um ótimo fim de semana, bem ensolarado e bem enluarado.
Nesse dia, alunos do curso de Comunicação Social da FACHA entrevistaram Mical para um documentário sobre a "roda de samba". O Professor Naílton Agostinho, diretor da Faculdade, os acompanhou.
OUTRA CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DO SAMBA DO BAIRRO
Recebi, através de Manoela Marinho, esse excelente texto do Ernani Marones. Valeu, Marones!
A ALA DA BOSSA
Cheguei em Botafogo por intermédio da ALA DA BOSSA. Quem me levou pra Botafogo foi a ALA DA BOSSA. Digo de boca cheia! A ALA DA BOSSA me colocou dentro de Botafogo e nunca mais consegui sair. Me trancaram por fora. Com quem ficou a chave? Alguns já morreram...Mas foi muito bom. É bom, será bom. Sempre.
Os sentimentos eram de prazer, segurança e orgulho ao freqüentar os ensaios dos Foliões, as saídas do Bloco da Chuva, os pagodes...eu disse PAGODES! Do Cantinho da Fofoca, os sambas lá em cima do Santa Marta, as festas nas inúmeras vilas do bairro, os desfiles de terça feira na Arnaldo Quintela, os encontros nos teatros Joveme Opinião.Com pelo menos um da ALA DA BOSSA ao meu lado. Eles conheciam tudo de Botafogo, filhos lá de dentro, uns garotos muito malandros e engraçados, ensaiavam juntos, sambistas excelentes e principalmente passistas e dançarinos. Passei a sair no Foliões com eles. E, como as cores eram vermelho e branco, os desfiles eram estendidos para a Unidos de São Carlos (hoje Estácio de Sá) e Salgueiro, aproveitando as mesmas fantasias e coreografias. Saídas no carnaval destas três agremiações.
Eis a escalação da ALA DA BOSSA:
- Marinho (meu saudoso parceiro, com quem mais fiz sambas até hoje. A dupla ganhou um status de “grife”, participando de festivais universitários no Rio, Goiânia e Uberaba. Foi o primeiro que conheci e me apresentou à ALA)
- Murilo (quase seu irmão gêmeo. O intelectual da turma, sempre discorrendo sobre artes, esquerdas, socialismos, burguesias, negritudes e sociedades. Adorava uma polêmica em mesa de bar)
- Zeca Meia Nove (este me levou aos movimentos negros do Rio e da Bahia. Passamos algum tempo em Berlink / Itaparica / Salvador com os blacks de lá. E ele parecia um rei de uma tribo africana. Figura forte, o maior negro que conheci. Toquei nas cerimônias de seu casamento e de sua morte)
Estes três primeiros foram meus amigos de convivências familiares. E mais:
- EdsonTeté ( batedor de caixa de guerra, riso contagiante, logo virou advogado, chegava no samba de terno e gravata, às vezes tirava o paletó e pegava um couro pra bater. Muito bem. Ninguém estranhava porque ele era plenamente pertencente ao meio)
- Tuninho Blecaute ( filho do famoso cantor. O rei das danças e elegâncias, o craque do time, camisa 10. Mr. Elegância. Mestre-sala, bailarino, dançarino das quadras, salões e gafieiras. Acho que ele é quem era o principal coreógrafo do grupo. Tinha sempre uma idéia, uma marcação, um passo, uma “jogada”, uma “bossa”...)
- Chocolate ( batedor de qualquer peça da bateria. Figura imponente no samba. Sabia tudo de samba. Um cidadão-samba. Nos ensaios, estava sempre ocupado e solicitado. Era diretor, tinha cargo na agremiação.)
- “Ronnie Von”, Soneca, “Nelson Mota”, João Carlos, Zé Luiz, (estes não lembro se pertenciam ao conjunto, mas, seguramente, eram da turma)
- Celso “Papel” ( o responsável por botar o Bloco das Chuva na rua. Era o “faz tudo”)
- Adelmo (o mesmo caso. Falou em Foliões, Bloco da Chuva e festas, era com ele mesmo)
e finalmente e principalmente o
- Carlinhos Cartório (Outro solista, capitão do time, gerente do negócio, presidente da ala)
Bem, esta é a minha opinião. Nada oficial. Eu achava e acho. Não é por nada não, mas era o fator de equilíbrio. Por quê? Não sei. Ou sei. Ele tinha cara de chefe. Alguns o rodeavam ouvindo suas opiniões. O jeitão de líder nato. E um detalhe. Nada que beirasse força física, ou violência ou briga e discussão. Ao contrário, um cara muitíssimo da paz. E muito humilde, o “boa praça”.Não dava pra imaginar ele brigando. Aquela elegância de Paulinho da Viola no seus melhores momentos. Sempre vestido com aprumo. Os ternos caíam bem nele. Vulto alto e forte. Em uma época, trabalhamos em prédios vizinhos no centro da cidade. Eu no edifício do Cordão da Bola Preta, esquina de 13 de maio com Evaristo da Veiga. Ele na galeria ao lado, no famoso cartório que veio a ser sua alcunha. Nos encontros de terno e gravata, falávamos de Fluminense (eu virava tricolor, pra que discordar de um cara legal?), Salgueiro (eu virava salgueirense, pra que contestar o bom amigo?), Foliões, seus sambas, seus problemas (sempre concordando, pra que discutir com um sujeito bem intencionado? Vai mais rápido concordar. Para a chegada aos bons termos.) E segunda-feira era sagrado nosso encontro no teatro Opinião para as reuniões de sambas. Memoráveis! Depois dos meus sumiços, ele quem me dava as notícias do pessoal. Parecia que gostava de fazer isto e de um modo muito positivo, engrandecido.
Sabe o sentimento que estou agora? Em condições normais, se não houvesse essa violência do senhor tempo, passando velozmente, friamente, implacavelmente, sem amor nenhum, hoje, sábado, correria ao encontro do Carlinhos, no ensaio do Foliões, ou “lá na casa do Vavá”, no Cantinho da Fofoca e o consultaria acerca deste movimento sobre Botafogo. Posso vê-lo falando e “irradiando simpatia”__ “é a Manoela, toca cavaquinho, filha daquele pintor, grandão, o Marinho Rego, que estava lá no Lamas...outro dia quem pintou lá no movimento foi o Niltinho...deu uma canja...”, ou então esperaria até segunda-feira de tarde, ao autenticar uma firma de documento no cartório, ou de noite lá no teatro Opinião, relataria o recebimento da notícia, e ele esclareceria__ “é o Paulinho do Cavaco...você vendo conhece, tem um grupo...e o Zorba e o Mical também vão lá...” Isto parece tão vivo e real pra mim...
Carlinhos Cartório. Sabe aquela pessoa que você não imagina que vai morrer? Pois é...
Ernani Marones
Bom, minha gente, o projeto está na rua e posso dizer que é um sucesso: a roda de samba agrega e emociona; o blog resgata e esclarece.
Aguardo a sua presença e a sua colaboração.
UM ABRAÇO!
"Há muito tempo eu escuto esse papo furado Dizendo que o samba acabou Só se foi quando o dia clareou"
Niltinho Tristeza esteve no projeto "Samba de Botafogo". Foi o convidado da nossa roda de samba no Bar do Belmiro. Aqui, as duas versões do seu maior sucesso "Tristeza". Vejam a empolgação!
Recebi essa mensagem, acompanhada de um texto, da pesquisadora Ivy Zelaya, que conheci no dia da apresentação do Niltinho Tristeza, no bar do Belmiro. O texto resgata um grande incentivador do samba de Botafogo. Mais uma valiosa contribuição. Valeu, Ivy.
Caro Paulinho,
Segue uma contribuição para o blog Samba de Botafogo.
Ao lê-la, compreenderá que presto uma homenagem ao saudoso e querido Carlinhos Passista. Acredito que, neste momento, ele está batendo palmas celestes para você com a sua iniciativa. Era o grande sonho dele, que passou a ser meu também.
Fique à vontade para publicar.
Abraços,
Ivy Zelaya
O embaixador das ruas e do samba de Botafogo
Ele acalentava o sonho de registrar a história do samba de Botafogo e encarregou-me dessa tarefa em 1997. Começamos juntos a colher depoimentos, a organizar o seu acervo pessoal composto de letras de sambas, recortes de jornais, fotografias, etc.O seu falecimento inesperado interrompeu o projeto e ocasionou maior dificuldade na sua execução devido à perda de parte do material e, principalmente, a suaausência. O embaixador ia fazer falta. E fez. Mas, assim como o passista e o poeta, ando pelas ruas de Botafogo com fé e não trago borracha na sola do pé.
Nos seus tempos de menino, Carlos Alberto Rodrigues (14.09.44 – 22.07.98) – no samba era Carlinhos Passista; na labuta, Carlinhos Cartório – jogava bola na rua Pinheiro Guimarães com os irmãos Paulinho, o da Viola, e Chiquinho, seus vizinhos do 57. A paixão do rapaz pelo bloco Foliões de Botafogo surgiu, nos anos 50, numa casa de cômodos na rua Visconde Silva e foi cultivada nas batucadas realizadas em Olaria, lugarejo destruído para a abertura da rua Pinheiro Guimarães, no sentido Humaitá.
Nasceu em Botafogo. Seu pai era carioca e pedreiro, morador do morro Dona Marta, no casarão 340, e sempre trabalhou em Botafogo. Sua mãe era de Niterói, trabalhava como doméstica no 64 da Pinheiro Guimarães, ao mesmo tempo que criava os filhos no 70, onde a família morava. Estes números eram suas referências, sempre citados em suas conversas, nas suas recordações, pelos bares e pelas esquinas do bairro.
Carlinhos Passista foi premiado pelo programa A voz do morro da Rádio Tupy, por sua atuação no carnaval de 1965. O prêmio – um singelo diploma – foi entregue em solenidade realizada no G.R.E.I.P. – Grêmio Recreativo Esportivo dos Industriários da Penha, famoso na época por seus bailes animados. A sua dedicação ao Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Foliões de Botafogo foi reconhecida ainda com uma Menção Honrosa em 1969. Comparo sua importância para o bairro de Botafogo à do Perna (Antonio Carlos Santana) para Vila Isabel.
Fluminense, Salgueiro e Foliões de Botafogo, suas paixões. Vestir as mesmas cores - vermelho e branco - para desfilar, no carnaval, em avenidas diferentes era alegria redobrada.Imagino que se sentia em casa quando os ensaios do bloco aconteciam no Carioca Esporte Clube, na rua Jardim Botânico.
O Carioca Esporte Clube originou-se da fusão, em 1933 do Carioca Footbal Club com o Gávea Sport Club. Suas cores são o vermelho, herdado do Carioca F.C., verde do Gávea S.C. , e branco, comum aos dois clubes.
Em depoimento gravado, em dezembro de 97, declarou: "Muita coisa começa em Botafogo. Um exemplo recente é o samba na Cobal, quando começou era com o pessoal do bairro. Mas, a minha bronca é que o sambista de Botafogo não tem vez, vai ficando sem espaço... a escola foi perdendo seus componentes com a transformação das casas de cômodos em escolas, empresas, etc, expulsando seus moradores para outros bairros mais distantes”.
Guardou, ao longo de sua vida, preciosidades sobre o samba e o carnaval de Botafogo, entre fotografias, letras de sambas-enredos, sambas de quadra e de blocos de rua, inclusive manuscritos do compositor Jair Cubano.
Acabo de receber a primeira contribuição para o nosso blog.
Quem enviou foi o meu querido amigo Luís Pimentel, escritor e jornalista, com vários livros publicados (contos, poesias...), e co-autor de "Um escurinho direitinho" (biografia de Geraldo Pereira) e "Wílson Batista".
O belo texto veio acompanhado de um belo desenho do Amorim.
Valeu, Pimenta!
Este Paulinho que passou em nossas vidas
Desde o dia em que um Rio passou em nossas vidas – e lá se vão quase quatro décadas – que nunca mais conseguimos viver sem ouvir Paulinho da Viola. Viemos com ele, de lá para cá, chorando e cantando, gemendo e dançando, no mar que nos navega ou nos sinais fechados.
Ele diz que a homenagem foi para a Portela, mas não importa; foi para todos nós. Desde o primeirão (Pode ser ilusão), composto em 1962 para a União de Jacarepaguá, passando pelo Sargento de milícias que soltou a águia em 1966, que esse escorpiano de 12 de novembro, nascido e criado em Botafogo, prova que beber do samba não provoca ressaca. Pelo contrário, faz dormir pesado e acordar mais leve.
Instrumentista de primeiríssima qualidade – ouçam os solos dos choros chorados –, intérprete que carrega nas cordas vocais a malícia e a embocadura do samba, e amigo de todas as horas dos seus amigos – a turma da Velha Guarda da Portela que o diga –, Paulinho ganhou o apelido carinhoso de “Príncipe do Samba” não por exibir qualquer traço ou ranço de nobreza; mas pela invejável elegância com que trata o gênero, os ouvintes e os seguidores.
Volta e meia ele fica um tempão se gravar. Depois, outro tempão sem fazer shows. Mas não é para fazer fita ou bancar o difícil. É que Paulo César Faria, filho do também nobre violonista César Faria, como o seu pai sabe o quanto o mercado fonográfico é complicado. E jamais se mostraram interessados em virar “mercadoria”.
Um país que tem Paulinho da Viola não pode ser de todo ruim.
Olha aí Toda a minha gente reunida Parece que está bem definida E que atingiram o seu ideal.
Olha aí Veja a euforia como é grande Note como o pessoal se expande Num gesto tão humilde e leal Cante com vontade, minha gente, Porque hoje já é carnaval.
Em cada bloco havia um estandarte, Em cada estandarte um dizer Simbolizando que nesses três dias Ninguém se lembraria o que é o sofrer.
Após a batucada pela rua, Quarta-feira a vida continua...
Botafogo é um bairro de grandes sambistas: Paulinho da Viola, Mauro Duarte, Válter Alfaiate, Niltinho Tristeza, Zorba Devagar, Mical, Miúdo, Anunciato e muitos outros.
E ainda há a nova geração: Marquinhos, Eliane e Márcia Duarte (filhos de Mauro Duarte), Manoela Marinho, cantora e cavaquinista, só pra citar alguns.
Espaços importantes de samba foram o Cantinho da Fofoca, do seu Alcides, e o Barbas, do Nelsinho Rodrigues. Blocos, inúmeros: Foliões de Botafogo, Bloco da Chuva, Bloco da Fronha...
Atualmente, posso dizer que a roda de samba mais importante do bairro é a que promovo, junto com o grupo "Tocando a Vida", no Bar do Belmiro. Considero-a a mais importante por reunir, em torno de um convidado, os sambistasmais significativos de Botafogo, tanto os "antigos" quanto os novos.
Pretendo, neste blog, contar um pouco da história do samba de Botafogo, pois, além de ser nascido e criado "neste bairro tão lindo", tenho, por esses sambistas, uma grande admiração.
Também aguardo colaborações, pois História se escreve coletivamente.